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Entrevista de ex-ministro da Fazenda confirma sua face entreguista

noticia | 12/06/2018 | Mario Augusto Jakobskind

Se alguém tinha dúvidas, se é que alguém tem dúvidas, sobre o posicionamento do aposentado do Banco de Boston e também ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, bastou uma entrevista, como a realizada no programa Roda Viva, da TV Cultura, para ficar claro o que representa a candidatura do referido.

Em linhas sintéticas, Meirelles lembrou que deu apoio total ao impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff, é a favor do pagamento do ensino nas universidades pública e defende entusiasticamente a reforma da Previdência, mas não foi perguntado sobre a reforma trabalhista, que também é absolutamente favorável.

O candidato do MDB, aliás terá de disputar o apoio em uma convenção, que, sem dúvida, será manobrada pelo atual ocupante do Palácio do Planalto Michel Temer, que mesmo repudiado pela imensa maioria do povo brasileiro, não desiste de indicar o nome de Henrique Meirelles, apesar de o ex-ministro tentar se desvencilhar do apoio do presidente.

Mas não adianta, porque por mais que tente essa proeza, a opinião sabe perfeitamente que além do próprio Temer, a responsabilidade pelo atual estado de coisas é também o próprio Meirelles.

Na entrevista, Henrique Meirelles ainda teve a audácia de tentar responder a uma indagação sobre o racismo no Brasil em função da maioria dos assassinatos no Brasil de jovens ter sido de negros.

Como o pré-candidato de Temer tem um discurso preparado de antemão, ao tentar responder à pergunta formulada, Meirelles demonstrou concretamente que decorou uma resposta para esse tipo de pergunta e foi falando sobre o aparelhamento da polícia e a necessidade de aumentar o contingente. Esqueceu de que a pergunta apontava a violência policial.

Meirelles demonstrou também que não passa de um burocrata que só ganhou a projeção que ganhou no governo Temer, porque é um empolgado com o projeto executado, que vem sendo seguido totalmente pelo ministro que ficou em seu lugar, Eduardo Guardia, que não passa de um preposto do antecessor.

Não será nenhuma surpresa que outros candidatos do mesmo time de Meirelles, como, por exemplo, Geraldo Alckmin ou mesmo Rodrigo Maia, respondam de forma semelhante ao entrevistado no programa da TV Cultura. Aliás, apesar da direção do Democratas insistir que Maia será mesmo candidato, o próprio já constatou que não tem mínima condição de manter a sua candidatura até o final da disputa e prefere manter-se na presidência da Câmara dos Deputados.

É evidente que a direita que tenta se apresentar como centro está em dificuldades de ter um nome de consenso para disputar o voto do eleitorado brasileiro. Alckmin até agora não conseguiu ultrapassar um dígito e começa a ser descartado pelo mercado. Vale assinalar que o projeto do PSDB não tem lá muita diferença com o do agora MDB. O problema desse segmento que obedece ao mercado é a rejeição popular manifestada nas mais recentes pesquisas.

Do outro lado, ou seja, da esquerda, fica cada vez mais clara a preferência do eleitorado de um candidato que o mercado quer impedir de se candidatar. Ou seja, Luis Inácio Lula da Silva, mesmo preso há mais de dois meses, continua na frente nas pesquisas, em uma demonstração clara de que basta comparar o atual momento Temer com os dois governos eleitos a partir de outubro de 2002 e posteriormente em 2006, portanto de oito anos.

E se Lula for impedido de se candidatar pelos defensores do mercado, qualquer candidato que rejeitar o atual projeto lesa pátria terá chances de ser o vitorioso. Daí o problema que se apresenta para os seguidores do projeto defendido entusiasticamente por Henrique Meirelles, Geraldo Alckmin e Rodrigo Maia.

De qualquer forma todos os três mencionados, em uma tentativa de enganar os incautos, fazem questão de dizer que não têm nada a ver com o lesa-pátria repudiado pela opinião pública, Michel Temer.  Por mais que queiram não conseguem esconder que não têm nada a ver com o ocupante indevido do governo, que ajudaram a instalar no golpe de 2016.

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