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Campanha da Fraternidade pelo direito e pela justiça

artigo | 01/04/2019 | Irmão Ronaldo Luzzi

O tempo da quaresma (período de 40 dias que antecede a principal celebração do Cristianismo, a Páscoa) é um convite explícito à conversão do coração. Tempo favorável para dispor a intenção a algo novo e que isso possa se tornar fecundo na vida das pessoas. Foi na sua “quaresma” (Mt 4,1-11) que Jesus Cristo reafirmou os planos de Deus para sua vida e ressignificou os sentidos daquilo que viria a ser sua paixão, morte e ressurreição: seu projeto de vida.

 

E é neste tempo especial que a Igreja do Brasil lança os esforços da sua Campanha da Fraternidade (CF) 2019, que tem por objetivo despertar a solidariedade dos fiéis e da sociedade em relação a algum problema que o País passa, tendo sempre em vista possíveis soluções para essa problemática. Especialmente, a CF tem como objetivo tocar a consciência das pessoas para o bem que podem fazer umas às outras.

 

Este ano, o tema da CF é Fraternidade e Políticas Públicas e o lema Serás libertado pelo direito e pela justiça (Is 1,27), referências diretas aos programas governamentais voltados ao cuidado dos mais pobres e marginalizados. Esses cuidados básicos previstos em leis e na Constituição Federal nem sempre funcionam a contento ou nem mesmo são desenvolvidos minimamente em vários locais do País. A Campanha deste ano tem como objetivo principal, segundo seu texto base, “estimular a participação em políticas públicas, à luz da palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”.

 

Por política pública entende-se todo esforço governamental relacionado a salvaguarda dos direitos básicos do cidadão que incluem, mas não se resumem a: educação, saúde, trabalho, lazer, assistência social, meio ambiente, cultura, moradia, transporte etc. É o conjunto desses direitos que garante qualidade de vida às pessoas e possibilita o pleno desenvolvimento dos cidadãos, por conseguinte.

 

Papa Francisco, na mensagem que enviou à Igreja do Brasil por ocasião do lançamento da CF 2019, diz o seguinte: “Muito embora aquilo que se entende por política pública seja primordialmente uma responsabilidade do Estado cuja finalidade é garantir o bem comum dos cidadãos, todas as pessoas e instituições devem se sentir protagonistas das iniciativas e ações que promovam “o conjunto das condições de vida social que permitem aos indivíduos, famílias e associações alcançar mais plena e facilmente a própria perfeição” (Gaudium et spes, 74)”.

 

Com esta temática tão atual no dia a dia dos cidadãos brasileiros, fica o apelo da Igreja e a chamada de atenção para que todos garantam sua participação nos espaços de discussão e de implementação de políticas públicas, que não apenas se assista ao desastre anunciado do descaso público que tem se visto na história do Brasil. Prevê também que o povo não seja mais vitimado pela falta de protagonismo dos cristãos e das pessoas de boa vontade que, omissos, permitem que se difunda uma cultura de egoísmo, individualismo e de corrupção de norte a sul do Brasil.

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