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Sustentáculo de Temer no Congresso, agronegócio escraviza trabalhadores

noticia | 20/04/2018 | Milla Gentil

“Lista suja” mais recente inclui 165 empregadores que mantêm mais de 2,2 mil pessoas em situação de escravidão, sendo que 80% estão no campo.

No balcão de negociações do governo golpista de Michel Temer, a bancada de representantes do agronegócio no Congresso Nacional - nada menos que 211 parlamentares, ou 41% da composição do Parlamento -, é freguesa assídua. Afinal, para se manter no Planalto e aprovar o desmonte de direitos da população, Temer precisa de seus votos - e para agradá-los promove as maiores ameaças à política ambiental e indigenista da História recente.

Pois é justamente entre os fiéis aliados do golpismo que a abjeta instituição do trabalho escravo avança. A mais recente atualização na “lista suja” feita pela Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae) do Ministério do Trabalho (MT) registra um acréscimo de 37 novos empregadores na lista, sendo que 16 são donos de fazendas ou madeireiras, um total de 43%.

A lista traz agora 165 empregadores responsáveis por manter 2.264 trabalhadores em situação análoga à escravidão. De acordo com os dados, no período entre 2003 e 2014 o agronegócio foi campeão absoluto na utilização do trabalho escravo, com praticamente 80% dos trabalhadores libertados do trabalho em lavouras, plantação de cana, desmatamento e pecuária - somente esta última foi responsável por 30% dos casos.

Em mais um agrado à bancada do agronegócio, o governo Temer publicou em outubro passado uma portaria ministerial que reduz a caracterização do trabalho escravo para apenas situações de cerceamento da liberdade, e condicionando o processo de inclusão de nomes na lista a uma decisão do próprio ministro do trabalho.

Mídia versus indígenas - Em nota pública divulgada neste mês de abril, os missionários e missionárias do Cimi Sul, reunidos em sua 42ª Assembleia Regional, denunciaram a ofensiva dos ruralistas sobre os meios de comunicação e junto aos poderes públicos para instigar e alimentar a violência aos indígenas.

“Eles estão propagando junto às populações – das áreas rurais e dos municípios – o ódio contra os povos indígenas. Há localizações no estado do Paraná em que os indígenas não podem sequer andar pelas ruas ou irem ao comércio porque são hostilizados e discriminados. Causa muita preocupação o fato de autoridades públicas, que deveriam zelar pela segurança e bem-estar de todos, estimularem a população a se manifestar permanentemente contra os indígenas, numa inequívoca demonstração de que os crimes de intolerância e do racismo são avalizados quando praticados contra os Guarani”, denuncia a nota.

 

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