educacao

Para não dizer que não falei da filosofia

artigo | 19/05/2019 | Luís Fernando Lopes

Não obstante ao contexto de conflitos e controvérsias, nunca talvez tenha se falado tanto de filosofia e de ciências humanas no Brasil como atualmente. Presente em todos os tempos, a filosofia enquanto manifestação própria da inquietude do espírito humano aflora ainda mais em momentos de crise, em momentos decisivos, em momentos nos quais é necessário refletir sobre o que realmente importa e faz sentido.

Mesmo para criticá-la e classificá-la como “inútil”, a filosofia parece nos obrigar a utilizá-la. Afinal é preciso refletir e expor argumentos, de maneira que esse exercício se torna uma prática autodestrutiva que traz como uma de suas piores consequências a desumanização. Negar ao ser humano a capacidade de refletir, duvidar, questionar é tentar diminuí-lo, descaracterizá-lo, aliená-lo, convertê-lo em marionete e impedi-lo de manifestar seu potencial criativo e transformador de si mesmo e do seu mundo.

Se é possível afirmar que o ser humano é um discurso a ser dito, se a palavra possui um potencial criador, então negar a filosofia e o filosofar é negar o próprio ser humano e todo seu potencial. Em sua aula inaugural no Collège de France em 2 de dezembro de 1970, Michel Foucault afirmou que há em nossa sociedade uma profunda “logofobia” (medo da palavra) de tudo que possa ser dito de descontínuo, de combativo, de perigoso, como uma espécie de zumbido incessante do discurso.

E não por acaso, a educação, embora seja, por direito, o instrumento por meio do qual o indivíduo pode ter acesso a qualquer tipo de discurso, é entendida por Foucault como “uma maneira política de manter ou modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo”. Mas como é possível pensar uma educação e em um sistema educativo desprovido de filosofia e do filosofar, se a educação mesma é em si uma atividade filosófica?

Nesse sentido, Descartes (1596-1650) afirmou que “viver sem filosofar é o que se chama ter os olhos fechados sem nunca os haver tentado abrir”.  Na capacidade de filosofar está contida em potência a possibilidade de ser, estar e fazer a diferença no mundo.

Prof. Dr. Luís Fernando Lopes, filósofo, teólogo e coordenador do curso de licenciatura em Filosofia do Centro Universitário Internacional Uninter.

Mais Sobre educacao
  • educacao
    Mobilizações cobram recursos para a Educação

    O Ministério da Educação anunciou no último dia 30 o desbloqueio parcial do orçamento previsto para as universidades e institutos federais. Os recursos que estavam bloqueados desde abril geraram grande mobiliza&cced...

    Mobilizações cobram recursos para a Educação
    Saiba Mais
  • educacao
    Ministro da Educação ofende professores e incentiva o denuncismo

    O ministro da Educação, Abraham Weintraub, ofendeu os professores universitários chamando-os de “zebras gordas” por supor que suas remunerações sejam elevadas. Na realidade, os salários dos profes...

    Ministro da Educação ofende professores e incentiva o denuncismo
    Saiba Mais
  • educacao
    Para não dizer que não falei da filosofia

    Não obstante ao contexto de conflitos e controvérsias, nunca talvez tenha se falado tanto de filosofia e de ciências humanas no Brasil como atualmente. Presente em todos os tempos, a filosofia enquanto manifestação p...

    Para não dizer que não falei da filosofia
    Saiba Mais
  • educacao
    O Fascismo retorna à Universidade Federal de Santa Catarina

    Na manhã desta quinta-feira, 11 de abril de 2019, compareceram ao gabinete do Reitor, sem agendamento, quatro representantes da CGU, a fim de entregar Notificação Prévia dirigida aos Professores Ubaldo Cesar Balthazar, Rei...

    O Fascismo retorna à Universidade Federal de Santa Catarina
    Saiba Mais