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Indústria da construção está quase parando e pessimismo aumenta

noticia | 27/06/2018 | Da Redação

O indicador de nível de atividade no setor caiu para 44,4 pontos e o de números de empregados recuou para 44,3 pontos em maio, informa a Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta quarta-feira (27/6), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo dos 50 pontos, mostram queda da atividade e do emprego.

Como consequência, a utilização da capacidade de operação ficou em 57%. Isso significa que o setor operou com 43% das máquinas, equipamentos e pessoal parados no mês passado, o que indica que o desemprego deve aumentar bastante no setor.

De acordo com a pesquisa, os índices de expectativas e de confiança dos empresários mostram que não há perspectivas de reação do setor nos próximos meses. Todos os indicadores de expectativa tiveram quedas expressivas neste mês. Com exceção do índice de expectativa de nível de atividade, que recuou para 50,4 pontos, os demais indicadores ficaram abaixo dos 50 pontos, mostrando que os empresários esperam a queda de novos empreendimentos e serviços, da compra de insumos e matérias-primas e do número de empregados nos próximos seis meses.

Para piorar, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção (ICEI-Construção) caiu para 48,2 pontos em junho. Foi a terceira queda consecutiva do indicador, que ficou abaixo da linha divisória dos 50 pontos. Isso mostra que os empresários estão pessimistas com o desempenho das empresas e da economia nos próximos seis meses.

Os números da sondagem mostram uma verdadeira contradição entre a realidade e a justificativa apresentada pela entidade que representa os empresários. A economista da CNI, Isabel Mendes, inventou uma justificativa esfarrapada para agradar os patrões: “Com a greve dos caminhoneiros, a indústria da construção tem sofrido ainda mais dificuldades para se recuperar da crise econômica”. Mas, para não ficar tão feio, ela concluiu que “o setor foi o primeiro a sentir os efeitos da recessão e vem enfrentado quedas consecutivas na atividade e no emprego”. Ou seja, no final ela admite que o país vive uma recessão. De fato, o setor foi fortemente atingido pelo golpe e pela paralisação de novos empreendimentos do Minha Casa Minha Vida.

Como não poderia ser diferente, o índice de intenção de investimento caiu para 30,6 pontos. Foi a segunda queda consecutiva do indicador, que varia de zero a cem pontos. Quanto menor o índice, menor é a disposição dos empresários para investir.

Esta edição da Sondagem Indústria da Construção foi feita entre 4 a 14 de junho com 575 empresas do setor. Dessas, 195 são de pequeno porte, 259 são médias e 121 de grande porte.

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