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A Igreja se manifesta: participe, vote, exija democracia

artigo | 20/08/2018 | Pedro Augusto Pinho

Papa Francisco (Evangelii Gaudium, 283) exortou os católicos a se preocuparem com “a saúde das instituições da sociedade civil” e não se omitirem, mas emitirem “pronunciamentos sobre os acontecimentos que interessam a todos os cidadãos”.

 

Os bispos da Regional Leste 1, da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançaram, nesta semana (19 a 25 de agosto de 2018), as “Orientações para as eleições de 2018”.

 

Entendem os prelados, após ouvirem padres e leigos, que o voto é direito e dever, responsabilidade e missão. Reconhecem que os desvios que se observam nas instituições, como ocorrem entre nós, podem conduzir ao desânimo e à descrença. Mas que isso deve motivar o comparecimento à urna e à manifestação clara e insofismável do seu desacordo e inconformismo.

 

Incentivam que os católicos conversem sobre política, que “se uma amizade se abalar por causa de questões políticas e eleitorais, o que deve se rever é a amizade”, que “não restrinja sua escolha à questão da segurança no sentido restrito da palavra”, e “rejeite candidaturas cujas campanhas mostrem grandes recursos econômicos”.

 

Façamos breve reflexão sobre esta manifestação episcopal.

 

Ninguém mais tem dúvida que nem foi a corrupção nem a “pedalada fiscal” que impuseram a quebra democrática, em 2016, no Brasil. Foram interesses econômicos e geopolíticos das estruturas de dominação estrangeiras e, muito especialmente, do sistema financeiro internacional, a banca.

 

Ao mencionarem explicitamente os “grandes recursos econômicos”, os bispos chamam nossa atenção para o poder que se transformou na maior força dominadora do ocidente: o poder do capital estéril, não produtivo, meramente especulativo e concentrador de renda e fortuna.

 

Ao colocarem a segurança, num sentido lato, mais amplo do que a segurança pública e a repressão policial-militar, os representantes da Regional Leste 1, plenamente identificados com as orientações da CNBB e do Papa Francisco (que se sobressai como um dos maiores estadistas de nosso tempo) mostram a importância da segurança dos direitos sociais e humanos.

 

Mais, muito mais falha do que a segurança pública, é conviver com a insegurança do emprego, da garantia dos direitos, da possibilidade de se manter, os filhos, os idosos, que os golpistas de 2016 estão retirando, cancelando e excluindo da vida de todos nós. É a ausência do Estado, por questão da ideologia excludente – o neoliberalismo – que penetra na mente das pessoas pela massificante e mistificadora comunicação de massa, das televisões, das rádios, das imprensas escrita e virtual, pertencente a meia dúzia de famílias.

 

É preciso dar um basta. Um basta que fortaleça o poder do voto, onde “se corrigem erros, superam-se vícios e se avança na democracia e no efetivo respeito aos cidadãos, em especial os mais pobres e vulneráveis”.

 

Impossível não ler, nestas palavras, a crítica acerba ao judiciário, instrumento golpista, avesso ao poder da manifestação popular e contrário aos interesses nacionais. Judiciário que procura encaminhar o voto a seus correligionários, impedindo a candidatura do mais popular líder brasileiro deste século.

 

Pedem, no documento, que os católicos das dioceses, a quem dirigem estas orientações, não as conheçam de modo egoísta. Propaguem-nas a todos pois “a realidade eleitoral é um dever humano, que onera a todos e, por isso, o discernimento em comum precisa ser feito, envolvendo a todos, em especial os que, por frustração e descrença, preferem se abster”.

 

A ditadura prefere a indiferença, a rejeição à participação, a transferência para outro de um encargo de consciência.

 

Nunca, nestes muitos anos que acompanho, nos estudos, nos trabalhos, na vida cotidiana, o desenvolvimento de nossa história, de nossa construção civilizatória, conheci um momento tão difícil, uma crise tão grave quanto a que vivemos atualmente. E não é por outro motivo que os bispos, ecoando a voz de todo universo dos católicos e de todos nacionalistas e patriotas, pede como “urgente e necessária” a reforma política.  

 

Reforma que se estende pelas degradadas e carcomidas instituições brasileiras, tomadas pelo controle da corruptíssima banca, dos corruptíssimos interesses antinacionais, que se exemplificam nos salários dos ministros e magistrados e procuradores da república, na entrega do petróleo do pré-sal, da base de lançamento de foguetes em Alcântara (Maranhão) e de nossa altamente competitiva fabricante de aviões, a Embraer.

 

Reforma que restabeleça o atendimento completo e universal, preventivo e corretivo da saúde do SUS, o Sistema Único de Saúde, os recursos necessários para o ensino, para ampliação das redes públicas de educação e pesquisa e divulgação da cultura nacional, ao invés do congelamento destas despesas por 20 anos.

 

Que coloque como prioridade investimentos produtivos, geradores de emprego e renda, ao invés de pagamentos de juros ao sistema financeiro, à banca.

 

A CNBB convida a todos que se associem, se movimentem, que transformem com estas eleições no Brasil justo, humano e protetor das famílias e das riquezas nacionais.

 

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

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