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Tênis feminino do Brasil vai bem na Fed Cup, mas não alcança playoff do Grupo Mundial II

noticia | 13/02/2018 | Da Redação

O Brasil conquistou o vice-campeonato no Zonal Americano I da Fed Cup, que foi disputado entre quarta-feira e sábado, no saibro de Assunção, no Paraguai. Após uma grande campanha, terminando a primeira fase invicta em primeiro lugar no Grupo B, a equipe brasileira acabou superada na final pelas donas da casa por 2 a 0 e adiou o sonho de disputar o playoff do Grupo Mundial II para 2019.  

Comandado pelo capitão Fernando Roese e respaldado por um corpo técnico altamente profissional e qualificado, o Brasil contou com as tenistas Beatriz Haddad Maia, Gabriela Cé, Nathaly Kurata e Luisa Stefanie. A delegação brasileira, que ainda contou a técnica Roberta Burzagli, o prepador físico Miguel Cantori, o fisioterapeuta Paulo Santos, o auxiliar de delegação Eduardo Nunes e o chefe de delegação Eduardo Frick, deixou o Paraguai neste domingo.

 

A equipe nacional abriu a campanha no saibro paraguaio com um triunfo por 2 a 1 sobre a Venezuela, depois aplicou 3 a 0 na Guatemala e conquistou uma vitória inédita sobre a Argentina por 2 a 1.

 

Na decisão contra o Paraguai, que teve um a dia a mais de descanso e contou com o apoio da torcida local, as meninas do Brasil foram guerreiras e lutaram até o último ponto. No primeiro jogo de simples, Nathaly Kurata foi superada por Montserrat Gonzalez por 6/1 e 6/3. 

 

Na segunda partida de simples, a número 1 do Brasil e 59 do mundo, Beatriz Haddad Maia, travou uma batalha de alto nível com Veronica Ceped, 84. Após 3h30 de duração e mais 3h de espera por conta da chuva, que interrompeu o duelo ainda no primeiro set, Bia chegou a salvar três match points, mas cedeu a vitória no tie-break, por 6/7 (2-7), 7/5 e 7/6 (11-9). Antes disso, a paulista havia entrado em quadra outras cinco vezes e vencido seus três jogos de simples e dois de duplas.

 

"Foi mais um sonho realizado, mais uma vez poder vestir a camisa do Brasil. Acho que todos os dias criamos uma energia legal e lá dentro da quadra fui tirando tudo o que eu podia. Infelizmente, não saímos com o resultado que queríamos, mas foi uma semana muito especial. Acho que talvez foi uma das melhores noites minhas dentro de uma quadra de tênis, foi muita emoção, uma tinha que perder, infelizmente, o Brasil perdeu. Agora é ver o que erramos para corrigir e fazer melhor na próxima vez", avaliou a tenista que se prepara agora para a gira de Acapulco.

 

União e espírito de equipe contagiaram a equipe

 

O mesmo entusiasmo sentido por Bia foi compartilhado pela sua parceira nas duplas, Luisa Stefani, em Assunção. "Essa Fed foi excepcional. Foi uma semana incrível por várias razões, não só pela campanha, que escapou por pouco na final, mas pela união do time. A entrega de todo mundo, o trabalho duro, a conexão do time e o espírito de equipe foram realmente impressionantes. Foi algo que eu nunca tinha sentido antes. Valeu muito a pena ter trazido toda a equipe", destacou a tenista, que venceu os três jogos de duplas que disputou, dois deles ao lado de Bia. "Os dois jogos de duplas que fiz com a Bia foram super bons, foi uma grande experiência. Foi um bom teste e acho que podemos jogar no futuro, não só na Fed, mas também no circuito, pois nos damos muito bem dentro e fora da quadra", projetou. 

 

A estreante Nathaly Kurata, que venceu seu primeiro jogo de simples contra a Guatemala, também deixou o Paraguai com ótimas recordações. "Foi uma experiência incrível, única, indescritível, muito diferente de tudo o que eu estava acostumada. Fiquei muito feliz de poder jogar, de ter feito meu primeiro jogo, estava um pouco nervosa, mas fiquei muito feliz de irmos para a final, escapou por pouco. Mas foi muito bom, foi um grande aprendizado. E fiquei muito feliz de passar o meu aniversário com essa emoção e vivenciar toda essa experiência", ressaltou a tenista, que completou 25 anos no sábado da final. 

 

Uma das atletas mais experientes do Brasil, Gabriela Cé também enalteceu o grupo e o espírito de equipe. "Acho que foi uma campanha positiva para o nosso time. Superamos vários momentos de adversidades. Acho que todo mundo sai mais forte do que chegou na competição. A entrega de todos foi muito bonita do início ao fim, está todo mundo de parabéns e só nós deixou com um gostinho de quero mais para o próximo ano e mostrando o quanto podemos ainda crescer e chegar mais longe", afirmou.

 

O capitão Fernando Roese também fez uma avaliação positiva da participação do Brasil no Zonal Americano I da Fed Cup e acredita em uma equipe ainda mais forte para o próximo ano. "Saímos de cabeça erguida, escapou por pouco. Acho que perdemos para a equipe mais parelha do campeonato. O Paraguai, além de ser uma das equipes favoritas, junto com Argentina e nós, tinha a vantagem de jogar em casa. Agora é nos reforçarmos tecnicamente para tentarmos levar o tênis feminino a um patamar melhor, continuar observando as meninas. Nosso trabalho durante a semana foi muito completo, profissional, ficamos dois dias em Assunção nos preparando. A equipe toda unida, com a Gabriela e a Nathaly se revezando na simples como número 2, com a Gabriela entrando na dupla no lugar da Bia quando precisou. Isso serviu pra mostrar como é necessário mesmo ter um time. Então é isso, saímos de cabeça erguida, fortes, esse ano fizemos uma final e vamos tentar voltar mais fortes pra 2019", resumiu o capitão Fernando Roese.

 

O gerente de Esportes e Eventos da CBT, Eduardo Frick, que acompanhou a equipe como chefe de delegação no Paraguai, também exaltou a campanha brasileira no Paraguai e acredita que o trabalho está no caminho certo. "A palavra que resume tudo isso é orgulho. Orgulho desse time, dessas meninas, da comissão técnica, todos desempenharam um grande papel. Nós da Confederação Brasileira de Tênis, eu que estava lá como chefe de delegação, só tenho a agradecer. Estou muito contente e orgulhoso por toda essa entrega e dedicação que todos deram para a competição. O respeito e a humildade de todos que estavam lá lutando por um objetivo comum. Acho que isso foi o mais importante. Tivemos uma vitória maravilhosa sobre a Argentina e outras duas vitórias sobre Venezuela e Guatemala. E chegamos à final contra o Paraguai em um jogo que foi decidido no detalhe. No geral, nós como Confederação acreditamos no time, continuaremos com essa mesma pegada, com esse mesmo empenho. O suporte dado à equipe feminina foi o mesmo que demos para o masculino na Davis, com preparador físico, fisioterapeuta, o capitão e a técnica Roberta Burzagli, que é uma ex-jogadora que hoje trabalha com a ITF. Ficamos felizes de saber que estamos no caminho e vamos continuar dando esse suporte para as meninas", enalteceu.

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