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Episódio da indicação da ministra do Trabalho é marca do atual governo

artigo | | Mário Augusto Jakobskind

O povo brasileiro assiste estupefato ao desdobramento de uma ação judicial de primeira instância impedindo a posse da deputada Cristiane Brasil para o cargo de ministra do Trabalho. O governo de Michel Temer não está nem aí e ingressou com um recurso da Advocacia Geral da União (AGU) contestando o impedimento da nomeação. Temer pouco se importa que Cristiane Brasil tenha cometido ilegalidade não assinando a carteira de trabalho de dois motoristas sendo obrigada a pagar indenização de pouco mais de 60 mil reais. Temer pouca se importa também com o fato de Cristiane Brasil ser considerada pela justiça de infratora da Constituição.

Pode-se imaginar alguém que infringe a Justiça do Trabalho ser indicada para ocupar o Ministério do Trabalho? Só mesmo em um governo como o de Michel Temer. Mas seja qual for a decisão da apelação da AGU já está claro que o acontecimento caracteriza a que ponto chega um governo para ter o apoio de um partido como o PTB, que, como se sabe, desde que foi criado, com o empurrão do Coronel Golbery do Couto e Silva, faz o jogo do capital e nunca a favor do trabalho.

É realmente lamentável que ocorra no Brasil um fato como o mencionado, ainda mais com o agravante de que antes mesmo da decisão judicial sobre o recurso da AGU, no site do Ministério do Trabalho, Cristiane Brasil já apareça como Ministra. Demonstra, portanto, que o governo Temer não respeita a própria justiça. Mas o fato pode ser interpretado também com a possibilidade de o governo golpista ter manejado a própria Justiça e não ter dúvida sobre a decisão final. Resta aguardar o veredicto judicial, que pode demonstrar independência e ignorar o desejo do governo ilegítimo.

O episódio Cristiane Brasil de qualquer forma revela a que ponto de decadência chegou o Brasil sob o governo de Michel Temer. O que acontece agora remete aos tempos em que o país era tutelado pelos generais de plantão em que decisões judiciais eram solenemente ignoradas, pois prevalecia a vontade dos que detinham o governo autoritário de fato.

É também uma demonstração de força do governo Temer que quer de todas as formas aprovar a contra reforma da Previdência, sendo fundamental o apoio dos parlamentares do PTB. Em suma, o governo lesa pátria de Michel Temer entra em 2018 com os mesmos métodos de sempre para seguir adiante com o seu projeto que está levando o Brasil a continuar andando para trás. Para tanto não dispensa Cristiane Brasil e agrada o presidente do PTB, Roberto Jeferson, uma figura amplamente conhecida do povo brasileiro e que voltou à cena ao se reunir com o ocupante indevido do governo, Michel Temer.

No futuro quando historiadores analisarem o atual período, o episódio mencionado será lembrado e pode-se imaginar que será interpretado como comprovação dos métodos adotados por Temer para conseguir reforçar o seu projeto responsável por tanto mal que provoca ao país. Cabe então uma pergunta: será que dentro de 50 anos órgãos de imprensa como O Globo farão o mesmo tipo de autocrítica para enganar os incautos, como fizeram sobre o apoio ao golpe empresarial militar de 1964?  É claro que em um mea culpa do gênero não pode ser esquecido que algum tempo depois da autocrítica repetiram a dose apoiando o golpe parlamentar, judicial e midiático de 2016.

Por estas e outras, não é possível que o povo brasileiro fique passivo diante dos desmandos do atual governo, que já facilitou a vida de empresas multinacionais, como a Shell, na área do petróleo, isentando impostos no valor de 1 trilhão de reais e ações que infernizam a vida de trabalhadores e trabalhadoras, como no caso da chamada reforma trabalhista, um retrocesso sem tamanho e assim sucessivamente.

 

 

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