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Grande bancada das esquerdas ou ocupação estratégica

artigo | 14/02/2018 | Pedro Augusto Pinho

O gênio Darcy Ribeiro afirmava que a elite casa grande brasileira era cruel e mesquinha, mas era a mais capaz dentre as elites mundiais. Os cinco séculos de dominação da casa grande lhe davam a comprovação da acertiva. Mas, como encontramos em “boas famílias”, há uma degeneração e o bisneto ofende com sua estultice a competência avoenga.

 

É o que nos mostra a fala do grande sociólogo Jessé Souza, da qual tiro alguns instantes, mantendo integralmente o conteúdo e o sentido cognitivo. “O poder foi ocupado por pessoas medíocres. A Lava Jato é formada por jovens imbecis, vaidosos, que se acreditam protagonistas onde são simples instrumentos.

 

A característica universal da burrice é o pensar a curto prazo. O burro pensa que está se dando bem: vendendo o pré-sal, embolsando dinheiro público, colocando os inimigos na prisão, mas esquece que o golpe (de 2016) não foi legitimado.

 

A mentira acaba saindo, nem que seja por Nova Iorque, e duas semanas de propaganda eleitoral gratuita coloca a verdade na rua: e a verdade é uma bomba atômica.”

 

Façamos uma análise destes pensamentos de Jessé Souza, começando pela verdade, já escancarada na forma mais receptiva que a mensagem pode conhecer: o humor.

 

Recordemos o adágio latino com que Jean de Santeul (1630-1697) rotulou o teatro: ridendo castigat mores. Usado com inteligência e arte pelo G.R.E.S. Paraíso do Tuiuti (PT) neste carnaval, no Rio de Janeiro.

 

Mas observe também o caro leitor a enxurrada, o lamaçal que os ocupantes do governo lançam sistematicamente, por todos os meios e locais, a todo momento.

Acusam a falta de verbas para reduzir, em termos reais do poder de compra, o salário mínimo. Mas concedem aumentos, sob várias formas, às mais privilegiadas castas do serviço público e, o que é muito pior, abrem mão de cobranças legais e obrigatórias para favorecer empresas nacionais (bancos, principalmente) e sobretudo as estrangeiras. Veja as dívidas “esquecidas” do Itaú e o presente de trilhões à Shell.

 

O senhor Pedro Parente, sem sentença judicial que o obrigasse, sem validação formal nos Estados Unidos da América (EUA) e no Brasil, entrega a “investidores” não publicamente identificados (como deveria fazer atendendo as condições de gestão pública) R$ 10 bilhões, isto mesmo, cerca de 3 bilhões de dólares dos cofres da Petrobrás. E ainda vem a senhora Leitão dizer que a Petrobrás está falida. Como uma empresa falida paga três bilhões de dólares estadunidenses?

 

Infratores ambientais, conforme matéria jornalística da Repórter Brasil, doaram R$ 59 milhões para campanha de deputados, entre eles, com R$ 2,2 milhões a controvertida candidata ao Ministério do Trabalho, a deputada do PTB Cristiane Brasil. Serão estes doadores punidos por suas irregularidades ou crimes?

 

Como deve reagir um pequeno empresário, fechando pela recessão econômica as portas de seu negócio, ao saber que Luciano Huck teve o empréstimo subsidiado do BNDES de R$ 17 milhões para pagar 85% do seu último jatinho?

Levantamento dos jornais indicam que, no período golpista, a inflação cresceu 3%, mas no nosso dia a dia estamos pagando 55% a mais pela energia elétrica, 70% pela gasolina, 120% pelos remédios, 80% pela água e esgoto, 16% nos planos de saúde e 70% pelo gás de cozinha. E isto todos sentem no bolso.

 

Mas o pior está no judiciário. Tão desmoralizado que temeria pela saúde e vida de parente, mesmo íntegro e trabalhador, que dele participasse. A verdade com grande probabilidade fará explodir este “poder” judiciário e seus ocupantes.

 

Vejamos alguns exemplos que nem sei se de simples burrice, como pensa Jessé Souza, ou de elevado cinismo, como sempre agiu a casa grande.

 

O Senador Aécio Neves teve sua corrupta conversa com empresário gravada e divulgada, sua conta no exterior revelada e suas ações irregulares no governo mineiro vem sendo objeto de inquéritos e denúncias comprovadas. Mas o judiciário o mantém “livre, leve e solto”, enquanto uma pobre senhora negra, que pegou um pote de manteiga custando R$ 3,10, foi sentenciada a 4 anos.

 

Os supersalários e, mais perniciosos do que elevados salários, os penduricalhos são verdadeira agressão à massa trabalhadora brasileira. Receber – tenha ou não residência própria e vivendo no município antes da nomeação para a comarca – R$ 4.378,00 (4,59 vezes o salário mínimo atual) como “auxílio-moradia” mostra a estulta soberba da classe.

 

Como pensa que reagirá a esta verdade 92% da população, que tem renda inferior a este “auxílio” por trabalho mensal, durante 11 meses e não 10, no máximo, ao ano, como os magistrados?

 

E as fraudes nos processos conduzidos pelo juiz Moro, que, por enquanto, estão nas redes virtuais, mas a campanha eleitoral as levará para as ruas: ocultação de informações, exclusão de dados, prisões irregulares, torturas etc. Neste carnaval, por conta dos inúmeros favores que vem fazendo a bancos brasileiros e petroleiras sediadas nos EUA, Sergio Moro recebe uma “festa”, um regabofe em Nova Iorque, que, na correta informação de Miguel do Rosário (O Cafezinho), tem como prato principal “a soberania e o bem estar dos brasileiros”.

 

E os políticos dos partidos mais corruptos do Brasil – segundo o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) são o DEM, em primeiro lugar, e, por ordem, seguem o PMDB, o PSDB, o PP e o PTB – que tem seus processos arquivados por decurso de prazo (mofam nas gavetas dos juízes, desembargadores e ministros até esgotarem o tempo para julgamento), enquanto o TRF4 fez o processo contra Lula ultrapassar mais de 200 mais antigos.

 

O judiciário brasileiro hoje está tão ridiculamente desmoralizado que, repito, temo pelos poucos íntegros que o compõe.

 

Mas não vamos falar da venda do pré-sal, do aquífero Guarani e de outras riquezas nacionais a preço vil – mas com comissões compensadores à casa grande – aos estrangeiros. Vamos cuidar da guerra a que nos querem conduzir estes fantoches, títeres que se consideram protagonistas.

 

Duas notícias são assustadoras. A primeira nos dá conta que o Temer, boneco ridicularizado no Carnaval, pretende criar o Ministério da Segurança Pública.

 

A rede Globo e suas repetidoras (Bandeirante, SBT, Record etc) vem criando o medo na população urbana das grandes cidades explorando, como fossem gerais e por toda cidade, os casos de violência. Obviamente sem relacioná-los ao desemprego, ao subemprego, à miséria que foram exponenciadas pelo governo golpista. Assim iludidos os cidadãos pensam ser uma solução ter mais uma força armada neste País.

 

Mas os mais atilados membros das Forças Armadas já perceberam que será uma oposição armada à defesa que os militares sempre fizeram do território e das riquezas nacionais. O Clube Militar, recordando, teve participação ativa e decisiva na criação da Petrobrás. Foram os governos militares que colocaram em ação a Eletrobrás, a Nuclebrás, a Embraer, a Embrapa e tantos órgãos fundamentais para o progresso brasileiro.

 

O que fará esta polícia nacional armada? Lutar nas favelas cariocas? Só para coxinhas.

 

A outra notícia é um verdadeiro fake new: a invasão de venezuelanos a Roraima, como motivo da viagem de Temer a aquele estado. A prova da subserviência deste governo aos interesses estrangeiros está no elogio desta viagem pela OEA, hoje e sempre uma extensão do poder estadunidense.

 

Para estas notícias: a preparação da guerra civil, da intervenção estrangeira e do estabelecimento de uma ditadura alienígena com marionetes locais, que devemos estar atentos. E não para uma suposta corrupção, não provada, de Lula.

 

Afinal, toda podridão da elite casa grande, que explode a céu aberto com a ignorância dos golpistas, fará do Partido dos Trabalhadores e dos partidos de esquerda a maior bancada no Congresso eleito em 2018.

 

Como irão reagir a isso os interesses opressores? Oficializando a condição colonial do Brasil sob o julgo estrangeiro e ditatorial?

 

E nós? Seremos simples observadores desta vergonha? O que dirão nossos netos e a história sobre nossa geração?

 

Reagiremos ou nos submeteremos?

 

Pedro Augusto Pinho é avô, administrador aposentado 

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