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ABI compactua com prisão de Lula apesar da soberania nacional do Brasil estar nos esertores

artigo | 15/04/2018 | André Moreau e Mário Augusto Jakobskind

Para vergonha da categoria, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Domingos Meirelles, se posicionou (9), mais uma vez como pensa, como “dono da ABI”, transformando a “Casa dos Jornalistas” em uma “correia de transmissão” das entidades patronais ABERT (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) e ANJ (Associação Nacional de Jornais), condenando as manifestações populares de repudio à narrativa de ódio da mídia comercial consorciada, como se os “jornalistas” que servem à “operação”, tivessem autonomia na cobertura da prisão do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em São Bernardo. 


Na nota firmada por Meirelles, a direção da ABI condena supostas agressões contra jornalistas, mas não condena a cobertura parcial que tem o objetivo explícito de promover o aprofundamento do golpe de estado com o encarceramento do ex-presidente Lula. E quem tiver dúvidas a respeito basta consultar as publicações impressas ou ver vídeos que permanecem no ar, nas mídias sociais. 

 

As manifestações populares condenando a manipulação da informação praticada em vários momentos da história brasileira pela mídia comercial, fazem parte da nossa história. Foi assim em 1954, depois da campanha criminosa contra o então Presidente Getúlio Vargas, que o levou ao suicídio. Resultado concreto: veículos que distribuíam o jornal O Globo e a Tribuna da Imprensa, então propriedade do golpista mor Carlos Lacerda, e outros do gênero foram atacados pelo povo, inconformado com a morte de Vargas. 

Os donos dos veículos de comunicação consideraram também a reação popular atentatória à liberdade de imprensa que no Brasil se confunde com “liberdade de empresa”. 

O que houve no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo, foi uma reação popular contra os proprietários dos veículos de comunicação manipuladores que promoveram o golpe de estado de 2016, representados por profissionais de imprensa que estavam lá naquele momento. Cumpre ressaltar que nenhum profissional foi agredido fisicamente, como dá a entender a nota assinada por Domingos Meirelles, que, por sinal, tem se aproveitado do cargo que exerce na entidade para conseguir benefícios pessoais como, por exemplo, a sua contratação na Rede Record de Televisão, antes proposta através de matéria publicada no site da ABI. 

 

Os repórteres foram obrigados a se retirar do Sindicato dos Metalúrgicos por estarem representando exatamente os proprietários useiros e vezeiros em manipular a informação com o único objetivo de operar a mudança do sistema de governo, a partir das mentiras repetidas através da narrativa de ódio, “anti-corrupção”. 

 

Os fatos revelam ao mundo a soberania nacional do Brasil em seus estertores, situação provocada por ações arbitrárias de setores do judiciário, promovidos pela “operação” que deveria levar o Sr. Meirelles a se perguntar: os proprietários e editores dos veículos de comunicação que promovem essa narrativa de ódio teriam coragem de aparecer no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, nas manifestações que antecederam a prisão do ex-presidente Lula? Como a resposta é óbvia, a representação ficou por conta de repórteres destacados como “bois de piranha”, para a cobertura. 

É o caso também de perguntar, o que não foi dito pela ABI, ABERT ou ANJ: como as reportagens foram editadas pelos prepostos dos proprietários? Deturpar fatos com objetivos claros significa realmente liberdade de imprensa ou é tão somente liberdade de empresa? Como os que faturam com o golpe de estado promovido pela mídia comercial se valem dessa manipulação, a resposta da ABI, ABERT E ANJ não poderia ser diferente, ou seja, defender os interesses que representam e que arrastam a classe média para a pobreza e os pobres para o estágio da miséria extrema. 

Pelas razões expostas que tratam de alguns dos elementos dessa desigual guerra de classes, nós membros da Chapa Villa-Lobos, não por acaso impedidos arbitrariamente de concorrer nas eleições de 2016/2019, reiteramos nosso repúdio à posição da direção da ABI, que no lugar de ajudar a esclarecer os interesses que existem por trás da narrativa de ódio promovida através dos meios de comunicação conservadores, se utiliza de tais expedientes visando satisfazer interesses pessoais.

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*André Moreau, é Professor, Jornalista, Cineasta, Coordenador-Geral da Pastoral de Inclusão dos "D" Eficientes nas Artes (Pastoral IDEA), Diretor do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê – Canal Universitário de Niterói e Coordenador da Chapa Villa-Lobos – ABI – Associação Brasileira de imprensa, arbitrariamente impedida de concorrer à direção nas eleições de 2016/2019.

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** Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor, vice-presidente na Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói.

 

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