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Reservas cambiais de Lula e Dilma: jogá-las produção e consumo ou na especulação?

artigo | 10/06/2018 | Cesar Fonseca

Covardia intelectual

Que falta de coragem – tremenda covardia intelectual – do editorial do Globo, nesse domingo, intitulado “O dólar de hoje não é o mesmo de 2002”,  em esconder que o que está salvando do caos agora a economia brasileira são justamente as reservas cambiais acumuladas pelos governos Lula e Dilma entre 2003-2014.

Isso aconteceu graças à decisão deles, principalmente, depois do crash de 2008, de fortalecerem mercado interno com valorização dos salários, promoção dos programas sociais distributivos de renda, como Minha Casa Minha Vida, Fies, Farmácia Populares, Luz para Todos etc, todos, agora, sendo desativados pela terapia do congelamento neoliberal.

Certamente, se favoreceram, também, do ciclo favorável de exportações, diante das decisões da China de enfrentar aquele crash , de forma heterodoxa, elevando gastos públicos, para estocar riquezas, no cenário de devastação mundial.

Fortaleceu o mercado interno consumidor, que estabilizou relações monetárias, evitando, consequentemente, especulações cambiais.

Foi o desenvolvimentismo nacionalista petista, que o Globo sempre chama de “populismo, patrimonialismo e personalismo”, na verdade as armas do nacionalismo, que salvou o país da crise mundial, e salva, agora, também, fornecendo parte das reservas cambiais de 380 bilhões de dólares(R$ 1,4 trilhão ao câmbio de R$ 3,70), para estabilizar moeda nacional, que saiu dos trilhos, justamente, porque os golpistas de 2016 resolveram destruir a economia, pauperizando a sociedade.

Nesse contexto de empobrecimento geral da população, a moeda fragilizou-se e os especuladores se aproveitam, especialmente, no ambiente eleitoral, em que a especulação se alimenta da falta de programa dos candidatos, todos, salvo Lula, com modelos econômicos, tipo Temer-Washington, altamente, vulneráveis.

O que fica provado, com isso, é que moeda forte é dada por mercado interno forte.

A força do país, de sua economia, capaz de garantir soberania, combate à violência social etc, está na capacidade de consumo da população, é claro.

Lula e Dilma fortaleceram mercado interno e, por isso, não enfrentaram essa balburdia cambial, que Temer, o fraquíssimo, não consegue segurar, ao obedecer as terapias neoliberais que Washington mandou ele praticar.

O Globo deveria, no mínimo, reconhecer esse mérito do governo popular, que ajudou a derrubar, com o golpe parlamentar e jurídico, cujas consequências são destruição do patrimônio nacional em escala inimaginável.

Não faz isso, porque fortaleceria candidatura Lula, que já está fortíssima, como demonstra pesquisa eleitoral, desse domingo, no Datafolha, em que ele fatura no primeiro turno com 30% dos votos.

O editorial dos Marinhos é pura manipulação e mau caratismo fugir da verdade dos fatos e encarar, corretamente, a história.

Tenta vender mentira como verdade, como sempre.

BC mau caráter

É muito fácil, agora, para o Banco Central, dominando pelos homens da banca privada – Ilan Goldfanj, é do Itaú – dar uma de macho em cima do dinheiro das reservas acumuladas na era petista, excomungada pelos neoliberais de patrimonialista, personalista, populista etc.

Covardes, caras de pau.

Não podem aumentar mais os juros, porque enfraqueceram demais a economia, já, excessivamente, endividada, e tem pela frente,agora, Trump, disposto a enxugar dólar pelo mundo, puxando as taxas lá nos isteites.

Não dá para competir, né?

Se tentarem fazer o mesmo por aqui, acabam de matar a economia.

Mas, o fato mais importante é o seguinte: essas reservas não devem ser dilapidadas para salvar especuladores, mas para desenvolver o País que os neoliberais estão destruindo.

Se em vez de jogar 20 bilhões de dólares delas para enxugar gele, tivessem lançado elas para incrementar crédito à produção e o consumo, as expectativas da economia seria outras.

Se jogarem metade dos 380 bilhões de dólares na produção e não no bolso dos especuladores, como começaram a fazer, o Brasil sai dessa crise fabricada pelos neoliberais rapidinho.

Essa é a questão central.

As reservas são do povo, não dos banqueiros, dos agiotas sanguessugas da nação. 

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