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Judiciário, em conluio com Moro, proíbe Lula de ir a enterro do irmão

noticia | 01/02/2019 | Da Redação

A Justiça sequestrou o direito de Lula velar a morte de Vavá, seu irmão mais velho. A dignidade do ex-presidente está soterrada sob a lama do judiciário, que se negou a cumprir o artigo 120 da Lei de Execução Penal (7210/84). De forma bem clara, a lei prevê que os condenados têm o direito de sair do estabelecimento onde estão presos, sob escolta, em razão de “falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão”.

 

Segundo o Departamento Penitenciário do Ministério da Justiça, mais de 12 mil pessoas saem por mês dos presídios brasileiros para ir ao enterro de um parente. Mas Lula não teve esse direito. A juíza de execução penal, Carolina Lebbos, se articulou com o Ministério Público e com a Polícia Federal – que é subordinada ao ministro da Justiça, Sergio Moro – para fazer um troca-troca de informações até gastar o tempo e empurrar a decisão com a barriga.

E, como diria Romero Jucá, o deboche final veio “com o Supremo, com tudo”: Depois de combinar com Moro, o presidente do STF, Dias Toffoli, esperou até o momento do sepultamento de Vavá para conceder o Habeas Corpus permitindo que Lula desse o último adeus ao irmão e ainda determinou que o ex-presidente fosse a uma unidade militar para receber os familiares e o corpo do irmão morto.  

 

Lula então decidiu não compactuar com o circo armado pelo Judiciário e desistiu de sair de Curitiba par ir a São Bernardo do Campo (SP) encontrar seus familiares, uma vez que seu irmão já havia sido enterrado. "Não deixaram que eu me despedisse do Vavá por pura maldade", afirmou Lula, repudiando a nova demonstração da cruel perseguição que vem sofrendo. "Não posso fazer nada porque não me deixaram ir. O que eu posso fazer é ficar aqui e chorar", lamentou Lula.

Como bem afirmou o jornalista Kennedy Alencar, “a decisão de Toffoli mancha a democracia. Lula é tratado como preso político pela Justiça e pela Polícia Federal, subordinada ao ministro Sergio Moro. Haja medo do que Lula tem a dizer e de como parte da população reagiria ao contato direto com ele num local público”. A perseguição explícita reforça a campanha, lançada por Adolfo Perez Esquivel, para que Lula receba o Prêmio Nobel da Paz em 2019.

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