cultura

Um filme imperdível no Brasil dos dias que antecedem as eleições

Notícia | 30/09/2018 | Mario Augusto Jakobskind

Nas telas dos cinemas pode ser visto um filme muito importante para os dias atuais aqui no Brasil, quando existe um candidato apoiador da ditadura empresarial militar de 1964 que teve reflexos nos países vizinhos, como, por exemplo, no Uruguai.

Trata-se do filme “Uma noite de 12 anos”, que conta a história dos presos políticos, José Mujica Maurício Rosencoff e Fernandes Huidobro. Eles se tornaram reféns da ditadura uruguaia e padeceram 12 anos de prisão em total isolamento, como pode ser visto nas telas.

Mas o tempo passou e depois de recuperarem a liberdade tiveram grande destaque no Uruguai. Rosencoff se tornou um escritor consagrado, Mujica se elegeu Senador e posteriormente Presidente da República, enquanto Huidobro foi eleito Senador, também pela Frente Ampla, e posteriormente se tornou Ministro da Defesa, o que obrigou os militares a obedecerem tanto Pepe Mujica quanto Huidobro, para desespero de apoiadores do golpe no Uruguai que, sempre é bom lembrar, teve o apoio de figuras como o atual candidato Jair Bolsonaro, que não esconde que continua golpista. Ele chegou ao ponto de confirmar esse protagonismo ao afirmar que só reconheceria a sua própria vitória nas urnas e não a de quem o vencer. Uma declaração, portanto, essencialmente golpista, que deveria merecer uma resposta imediata dos comandantes militares, pois o silêncio é deveras comprometedor.

Por isso, nestes últimos dias de campanha eleitoral, o filme sobre o padecimento dos três presos reféns deve servir, não só de informação como de reflexão sobre o momento atual que atravessa o Brasil.

Os três personagens uruguaios entraram para a história, enquanto seus algozes ocupam o lixo da história e o que fizeram de pernicioso não pode ser esquecido para o bem da democracia. É também necessário que o eleitorado brasileiro ajude a colocar no lixo da história quem quer o retorno da barbárie que representou a ditadura empresarial militar de 64.

“Uma noite de 12 anos” é uma história importante para toda a América Latina, sobretudo em países onde ocorreram golpes de Estado, como no Chile, também com apoio e participação de seguidores de Bolsonaro, para não falar da Bolívia, em que os golpistas brasileiros também tiveram protagonismo ao apoiarem quem tomou o poder a força.

 E não se pode esquecer de outros países, como a Argentina, que também reforçou a ditadura brasileira, conforme confirmam documentos da época.

Os fatos estão interligados e não podem ser esquecidos, sobretudo nos dias atuais em que os saudosistas da crueldade querem retornar o comando do país.  

E nesse sentido vale lembrar um fato histórico, a ascensão do nazista Adolf Hitler. Se as duas forças políticas alemãs – a social democracia o Partido Comunista – tivessem se unido, mesmo sendo antagônicas, possivelmente poderiam evitar a barbárie.

No Brasil hoje, se o segundo turno ocorrer, conformem indicam as pesquisas, entre Fernando Haddad e Bolsonaro, será necessária uma unidade para evitar a barbárie que representa a candidatura de Bolsonaro, que joga também na desinformação para enganar incautos das mais diversas matizes.

Se candidatos como Marina, Ciro e Alckmin pregarem o não apoio contra Bolsonaro, como já estão dizendo, estarão, na prática, compactuando com a barbárie e responderão diante da história.

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