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China quer Lula livre para fortalecer BRICs contra EUA na guerra comercial global

artigo | 13/06/2018 | Cesar Fonseca

Geopolítica na sucessão 

A decisão da China de aumentar para 38% tarifas antidump sobre importação de frango brasileiro deixou apavorado o agronegócio nacional e disseminou entre os agricultores, especialmente, do Centro-Oeste, que existem razões políticas, mais do que, meramente, econômicas, por trás da estratégia chinesa.

A bancada ruralista, no Senado, está inquieta e já faz ligação da notícia com interesse geoestratégico chinês de ter Lula na disputa eleitoral, por ser ele garantia de aliança com os chineses e russos, hoje, fortemente, aliados, na construção da geopolítica eurasiana, com fortalecimento dos BRICs, na guerra comercial com Washington.

Os agricultores e seus representantes do PMDB concluem, em meio ao desespero, como destacou Ricardo Santin, vice-presidente e diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que a posição da China é, basicamente, política.

Isso, na avaliação dele, vai requerer duas providências imediatas: 1 – recorrer já à Organização Mundial do Comércio (OMC), para tentar evitar o pior, o que é uma incógnita, dada fragilidade desse organismo internacional, em meio a guerra comercial global, e 2 – acelerar acerto comercial bilateral com os chineses.

Outra leitura dos ruralistas conservadores peemedebistas, que se alinharam ao golpe geopolítico estratégico dos Estados Unidos contra o governo Dilma, é que a China, deseja recuperar terreno perdido, com queda do PT, como aliado estratégico, na armação geopolítica dos BRICs, profundamente, incômoda a Washington.

Para tanto, retaliações comerciais, contra o governo ilegítimo Temer, que se aliou a Washington, representa duro recado de Pequim a Brasília, no sentido de que o apetite chinês pelas exportações brasileiras se arrefece sob governo adversário, na guerra comercial contra China-EUA.

Aliança rompida com golpe

Lula e Dilma estavam alinhados a Pequim e Moscou, geopolítica e estrategicamente, em torno dos BRICs, articulação essa destruída por Washington, com o golpe de 2016.

Tio Sam, com seus aliados internos, no golpe parlamentar-jurídico-midiático, tirou o Brasil da área de influência de Pequim e Moscou, evitando, por exemplo, o que ocorre com a Venezuela, apoiada, política, econômica e financeiramente, em forças chinesas e russas, no cenário sul-americano.

No Brasil, com o ilegítimo Temer no poder, ancorado nos golpistas PSDB-PMDB, agora, eleitoralmente, inviáveis, Tio Sam tenta evitar volta do PT ao poder, cujo candidato, Lula, pule de dez em qualquer pesquisa que se faça, está preso por ordem de judiciário, aliado aos interesses americanos.

Nesse sentido, concluem os peemedebistas, depois de análise de Santin, a China estaria na defesa de Lula livre para fortalecer os BRICs contra EUA, na guerra comercial, aberta por Trump.

Faca no pescoço do agronegócio: os chineses estão dispostos a continuar importando proteína animal do Brasil, mas sinalizam, com o aumento de 38% das tarifas de importação sobre produto nacional, disposição política favorável a Lula livre, aliado da China, na disputa eleitoral.

Na prática, portanto, a geopolítica global, hoje colocando em polos opostos China-Russia, de um lado, e Estados Unidos, de outro, passou a influenciar a sucessão presidencial brasileira.

Eis a razão que eleva inquietação dos agricultores e sua bancada ruralista, no Congresso, receosos de que percam negócios, no momento em que já acumulam grandes prejuízos, em decorrência da greve dos caminhoneiros, responsável por exterminar, de fome, milhões de frangos, com a interrupção dos transportes.

Política e negócios

Em 2017, segundo a ABPA, a China comprou 391,4 mil toneladas de carne de frango do Brasil, correspondendo a 9,2% do total das exportações e a 5% do consumo chinês dessa proteína animal.

Não, apenas, frango poderá ser retaliado, na avaliação de Santin, mas, também farelo de soja, óleos, carnes de porco, de vaca etc, impondo grandes prejuízos ao agronegócio.

O governo reagiu à decisão chinesa, por meio do Itamarati, Ministério da Agricultura e da Indústria e Comércio, mediante argumento de que não há razões econômicas e sanitárias capazes de justificar tal decisão, razão pela qual Santin concorda que fatores políticos sobrepuseram a fatores econômicos, em nome da geopolítica.

A decisão, tomada sexta feira passada, teve resultado fulminante nas ações de dois grandes grupos nacionais, exportadores de proteína animal, a BRF e a JBS, cujas ações caíram, em menos de uma semana, 8%, na bolsa, levando pânico ao mercado bursátil.

O processo para imposição de restrição ao frango brasileiro começou em agosto de 2017.

No meio do caminho, em fevereiro, a China derrubou tarifas para o frango produzido nos Estados Unidos, o que significa, na avaliação de representante do agronegócio, no Congresso, sinal de que o “pedágio” para o Brasil pode ser moeda de troca em momento em que o presidente americano, Donald Trump, endurece discurso contra país asiático.

O clima, no agronegócio nacional, portanto, fechado e as avaliações políticas ligadas à sucessão e à prisão de Lula ganham relevância como fatores capazes de explicar razões que levaram os chineses a retaliarem o governo Temer, aliado de Trump.

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