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Greve de Fome chega ao 6º dia com depoimento emocionado sobre Lula

Notícia | 05/08/2018 | Da Redação, com MST (Jaime de Amorim)

Em relato militante grevista de fome e dirigente do MST, Jaime Amorim, reafirma que somente a vitória de Lula nas eleições de outubro pode impedir retrocessos no Nordeste

Hoje estamos recebendo a visita da Caravana do Semiárido Contra a Fome, que saiu de Caetés em Pernambuco, passou pela Bahia, Minas Gerais, São Paulo até Curitiba. Levando a Mensagem para o Lula que o Nordeste não abre mão de Lula Presidente e agradecer pelas políticas adotadas que permitiram ao Nordeste e ao povo Nordestino ser valorizado, melhorando a vida e recuperando a dignidade de um povo, com tantos sofrimentos e resistência para que pudesse olhar para o futuro e sonhar.

Foram seis anos de seca, com muitas angústias e necessidades, perda quase total do rebanho de caprinos, ovinos e bovinos, seis anos sem colheita de grãos, principalmente do milho, do feijão e da mandioca que fazem parte da cultura regional. Mesmo assim nenhuma família teve que migrar por falta de água e alimento.

O Nordeste sempre foi descriminado em todas as políticas, o desenvolvimento industrial sempre foi para o Centro Sul, como a infraestrutura, portos, aeroportos e estradas. Prioritariamente, ciência e tecnologia, 90% dos recursos das pesquisas estavam destinados às universidades e centros de pesquisas do Sudeste. Até para os camponeses as políticas era diferenciadas, antes de Lula quase 70% do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) era contratado na região Sul e Sudeste, e o Nordeste que tem 55% dos camponeses do Brasil, não contratava o Pronaf, a não ser uma porcentagem muito pequena por falta de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e compromissos dos bancos Públicos com os camponeses, que preferiam atender empresas agrícolas, usinas e fazendeiros do que contratar Pronaf, segundo eles dava muito trabalho e pouco resultado. 

Com Lula e Dilma, o Nordeste passou a ser valorizado e esta situação passou por um processo de reversão. Não se trata de tirar recursos de outras regiões e diminuir sua capacidade de investimento, mas dar prioridades às regiões equivalente as suas necessidades e potencialidades e promover uma distribuição justa dos impostos arrecadados. 

Aeroportos foram modernizados, portos ampliados e modernizados a exemplo do Pecém no Ceará, Itaqui no Maranhão e Suape em Pernambuco. Todos os aeroportos das capitais foram reconstruídos, reformados e modernizados, a BR 101 de Sergipe ao Rio Grande do Norte, duplicada, construção da Transnordestina, da transposição do Rio São Francisco. Valorização de vários polos industriais da moda no Ceará, da tecelagem e jeans no Agreste de Pernambuco e tantas outras. Bem como a ampliação das universidades federais, construção e criação de novas universidades, ainda que em níveis desiguais, as universidades e os centros de pesquisas e tecnologia passaram a ser valorizados no Nordeste. Também houve a construção e modernização de hospitais e indústrias importantes e estratégicas como a Refinaria Abreu e Lima e a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobras). Poderíamos citar tantas outras. 

Claro que muitos desses empreendimentos foram para favorecer a capacidade de ampliação de investimentos do capital que viu na região uma possibilidade de exploração da força de trabalho. Mas do ponto de vista do desenvolvimento, da valorização regional e de melhoria da qualidade de vida do povo, foram importantes para a região. Houve período em que na região Nordeste se atingiu o pleno emprego, a construção civil contribuiu significativamente para criar oportunidades de trabalho para toda a população. 

Hoje o desemprego é massivo. As obras pararam, as indústrias faliram, os portos diminuíram os serviços e a movimentação, o Programa Minha Casa Minha Vida está parado, os polos industriais desvalorizados pela política de importação, principalmente de roupas e tecidos da China. Com isso, volta a pairar a desesperança e o medo de um futuro com a volta da fome, o desemprego, a miséria e a violência. Por isso, e muito mais com a valorização da cultura nordestina, sua identidade regional, o povo luta pela liberdade de Lula e sua volta ao comando do pais, para não deixar o pouco que foi construído nos últimos 14 anos de governo serem desconstruídos. 

A agricultura camponesa do Semiárido, que foi tema da Caravana do Semiárido Contra a Fome é umas das regiões mais prejudicada com o golpe. A Caravana mostrou a necessidade da liberdade de Lula, para a população de uma região eminentemente agrícola, que no último século, serviu basicamente, como reserva de mão de obra para o modelo de industrialização brasileira. Todos os anos milhares de brasileiros migram em massa, a grande maioria para o Sudeste do país, tentando fugir da fome e da seca e se submetendo à exploração e ao trabalho exaustivo nas indústrias dos grandes centros urbanos. Essa situação também gera uma força de trabalho barata a serviço da industrialização brasileira, que ficou no Nordeste, tendo que se submeter ao trabalho nas frentes de emergência, construindo açudes e barragens à base da picareta e do carro de mão, trabalhando em terras de fazendeiros. Com a estratégia da migração o povo do Nordeste passou um longo período de desconstrução e desqualificação das suas raízes e identidades regionais. 

Porém, os governos de Lula e Dilma, foram responsáveis por criar programas e políticas públicas que voltaram a valorizar o camponês e a camponesa do Semiárido, melhorando a qualidade de vida e as condições de trabalho. São eles, o Programa Luz para Todos, de cisternas e tecnologias de armazenamento de água, Bolsa Família, qualificação e acesso ao Pronaf, Água Para Todos, Programa Água Doce, acesso à aposentadoria, com reajustes do salário mínimo, habitação rural, Programa Terra Forte, Mais Médicos, farmácia popular, incentivo à produção orgânica e agroecologica, Programas de Comercialização Pública: Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e PAA Caprino. E o mais importante no processo estruturador, o Programa de equipamento para as prefeituras atender a zona rural, com Carro Pipa, Motoniveladora, carregadeira mecânica, caminhão e trator, para a manutenção e abertura de estradas, criação de açudes para armazenar água e a criação de peixes, entre outras políticas. 

Pela primeira vez na história o camponês e a camponesa brasileiros e os nordestinos, em especial, puderam pensar sua reprodução e sobrevivência, sem preconceito e dignidade, tendo acesso no campo há serviços de saúde, estradas, energia elétrica, escola, esporte e cultura. 

É certo que faltou muito e muito deixou de ser feito, principalmente no tema da Reforma Agrária. Na Palavra de Dom Francisco “O problema do Nordeste não é a SECA é a CERCA”. Como já disse, Dom Pedro Casaldáliga “Malditas sejam todas as Cercas”, ou Paulo Freire “Ao romper as cercas do latifúndio aprendemos que podemos ROMPER todas as CERCAS, da ignorância, da Cultura...”. 

A principal tarefa de Lula para o Nordeste, assim que for eleito novamente presidente do Brasil é resolver o problema histórico da concentração de terra e o poder do latifúndio e das oligarquias regionais, que impedem o povo de exercer livremente a democracia e ter acesso à terra para trabalhar e produzir alimentos para o seu sustento e para a população das cidades. 

Portanto, a resistência do povo do Nordeste, com marchas, caravanas, rezas, jejum, greve de fome, por Lula Livre. Ocorre, principalmente, porque não queremos ver a região retroceder nas polícias públicas e ter que viver de Frentes de emergências e cestas básicas, como acontecia há décadas.

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