politica

Prisão é pena, não é tortura

23/00/2017

Um livro e um vídeo. Em comum, um retrato do que é ter filho na cadeia. Há 81 anos, Anita Leocádia Prestes nasceu numa prisão de mulheres na Alemanha nazista. Filha da judia Olga Benário Prestes, foi afastada da mãe aos quatorze meses de idade. Olga foi executada em uma câmara de gás em 1942 e passou os últimos seis anos pensando que poderia voltar a ver a filha. O livro escrito por Anita se chama ‘Olga Benário Prestes, uma comunista nos arquivos da Gestapo’ e já está nas livrarias.

 

‘Nascer no Brasil’ é o vídeo resultado da pesquisa em que 24 mil detentas que deram à luz atrás das grades foram ouvidas sobre o tratamento que elas e seus bebês receberam antes, durante e depois do parto. A pesquisa, coordenada pela professora Maria do Carmo Leal, da Fundação Oswaldo Cruz, traz uma revelação surpreendente: 36% das presas ficam algemadas na hora do parto.  

 

O motivo é a falta de formação dos profissionais de saúde para lidar com a comunidade carcerária. Por isso, o medo fala mais alto que a humanidade. Nem mesmo se leva em conta que 68% das mulheres estão presas por envolvimento com droga sem registro de violência de atentado direto à vida. O depoimento da agente de saúde Aline Cabral, reflete a conseqüência negativa para a toda a sociedade dos procedimentos que estão mais para tortura do que para correção: “ Acolher o preso é muito difícil, a população em geral prefere que o preso morra mesmo, que apodreça na cadeia, mas esquece que o preso só está passando um tempo. Daqui a pouco vai estar em liberdade e resta a nós escolher se quer que ele volte melhor ou pior”.

 

O vídeo, dirigido por Bia Foretti, será entregue ao Ministério da Justiça e ainda não tem data para estar disponível nas redes sociais.

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