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Outro delator diz que Globo pagou propina por direitos de transmissão

noticia | 29/11/2017 | Da Redação, com Brasil 247 e La Nación

Durante o julgamento do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin, no escândalo de corrupção da Fifa, o empresário argentino José Eladio Rodríguez reforçou a denúncia de corrupção contra a Rede Globo, feita anteriormente pelo seu compatriota Alejandro Burzaco.  

Segundo publicado no jornal argentino La Nación, Rodríguez afirmou textualmente que a T&T, nas Ilhas Cayman, vendeu seus direitos de transmissão a uma empresa chamada T&T Netherlands por um preço baixo. E esta empresa, por sua vez, revendeu os direitos da Copa Libertadores da América à televisão brasileira Globo por muito mais dinheiro. Segundo Rodríguez, a T&T Netherlands existia para vender os direitos televisivos e logo fazer pagamentos secretos com parte desse lucro.

Rodríguez foi braço-direito de Alexandre Burzaco, que já acusou a Globo de ter pago US$ 15 milhões de suborno para os direitos 2026 e 2030 da Copa do Mundo. O delator citou José Maria Marin como um dos que receberam propina, e ainda Marco Polo Del Nero, atual presidente da CBF, e Ricardo Teixeira, que abandonou o mesmo cargo há cinco anos sob uma série de suspeitas abafadas à época com ajuda da Rede Globo.

Nas planilhas da contabilidade paralela da Torneos y Competencias, examinadas em detalhe pela acusação diante do júri, os cartolas apareciam sob o nome "iluminados". Era a designação secreta de Rodríguez para destinatários de pagamentos. Nos exercícios fiscais sob a rubrica "iluminados", a palavra Globo aparece pelo menos quatro vezes, associada a pagamentos que chegam a US$ 12,8 milhões, relativos aos direitos da Libertadores e da Copa Sul-Americana.

Rodríguez reconheceu diante do júri a mesma troca de e-mails com o ex-chefe em que discutiam a impaciência de Marin e Del Nero, irritados com a demora para receber seus pagamentos –os cartolas, segundo documentos da Torneos, recebiam US$ 600 mil, valor depois atualizado para US$ 900 mil por ano, relativos à manutenção dos contratos de transmissão dos campeonatos da Conmebol.

O delator reconheceu também Alexandre da Silveira, secretário pessoal de Del Nero, e José Hawilla, o brasileiro dono da empresa de marketing esportivo Traffic, em fotografias mostradas pela acusação.

 

 

 

 

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