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José Loureiro sempre estará entre os que pretendem combater o bom combate

artigo | | Mário Augusto Jakobskind

O jornalismo, a literatura e o cinema brasileiro, o Brasil, em suma, perderam neste final de 2017 uma figura que será sempre lembrada. Estamos falando do escritor e jornalista José Louzeiro, uma figura relevante na história brasileira por sua criatividade. Louzeiro, diga-se a bem da verdade, sempre combateu o bom combate.
Para ficar em um exemplo de jornalismo investigativo vale lembra o que foi feito por ele em Vitória, no ano de 1973, quando descobriu que o assassinato da menina de 8 anos, Aracelli Crespo era de responsabilidade de figuras da alta sociedade da capital do Espírito Santo.


O livro “Aracelli, meu amor” acabou sofrendo por isso restrições da censura, a mesma que naquele período tenebroso da história brasileira restringia trabalhos criativos de toda a espécie, por ordem dos que exorbitavam do poder e protegiam os ricos.
O maranhense José Louzeiro, que começou as atividades jornalísticas aos 16 anos de idade na capital do Estado onde nasceu e acabou radicando-se no Rio de janeiro em 1954. Fez história e deve servir de exemplo para quem entende o jornalismo como uma atividade social visando a formação do povo. E para isso é necessário fazer o que Louzeiro sempre fez, ou seja, não se intimidar e se dobrar aos interesses dos poderosos. Foi o que fez Louzeiro em toda a sua vida profissional.


Nesse sentido vale lembrar um fato vivenciado por Louzeiro e que tem a testemunha do seu filho, o jornalista André Moreau Louzeiro. José Louzeiro era o criador de uma novela que ia ao ar na TV Globo. Recebeu então um telefonema do então todo poderoso da Rede Globo, Bonifacio de Andrade, o Boni, que o advertiu que a telenovela estava tendo muitos atores negros, o que não era de agrado de um dos patrocinadores. Boni recomendou então a José Louzeiro que mudasse o esquema. O grande Louzeiro, segundo testemunho do filho André, não se intimidou e preferiu deixar de lado a novela do que se dobrar aos interesses comerciais da Globo, nitidamente de cunho racista.


São muitos os exemplos que demonstram o caráter combativo desta figura histórica que nos deixou nesta última quinta-feira do ano de 2017. Vale assinalar que ele também entrou com toda a força e disposição na batalha objetivando fazer com que a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) voltasse a ter protagonismo nacional, como nos tempos de Barbosa Lima Sobrinho e Maurício Azêdo. Encabeçou a chapa Villa-Lobos, que foi impedida, de forma totalmente ilegal, de concorrer na última eleição da diretoria da entidade secular.


Como homenagem a José Louzeiro, os integrantes da chapa Villa Lobos, não devem esmorecer na luta para reerguer a ABI, conseqüentemente riscar do mapa a diretoria encabeçada pelo senhor Domingos Meirelles, responsável pelo atual momento que atravessa a entidade secular, como nos tempos iniciais do golpe de abril de 1964 quando a diretoria presidida por Celso Kelly apoiou o movimento empresarial militar responsável pela derrubada do presidente constitucional João Goulart e que durante 21 anos esteve vigente no país.


Nos dias atuais, a diretoria atual da ABI na prática serve aos interesses dos golpistas edição 2016 que fazem o Brasil andar para trás e atravessar também um regime de exceção. É preciso, vale repetir, continuar nesta luta até a vitória final, em homenagem ao combatente José Louzeiro, que sempre participou desta batalha com a mesma energia que teve quando criou os seus trabalhos jornalísticos investigativos.


E assim procedendo, podemos dizer em alto e bom som: José Louzeiro, presente!
 

Mário Augusto Jakobskind, é Professor, Jornalista, Escritor, vice-presidente na Chapa Villa-Lobos, arbitrariamente impedida de concorrer à direção da ABI (2016/2019) e Coordenador de História do IDEA, Programa de TV transmitido pela Unitevê - Canal Universitário de Niterói.

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