cultura

GDF busca parceiros para reformar o Teatro Nacional

post | 23/10/2017 | Romário Schettino

Por Romario Schettino - www.brasiliarios.com

 

Enfim, uma iniciativa digna de nota. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) assinou hoje (19/10), simbolicamente mas com toda a pompa e circunstância, no foyer da Sala Villa-Lobos (aberto só para o evento), o edital de chamamento público em busca de parceiros privados para a reforma do Teatro Nacional Claudio Santoro.

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, presente à cerimônia, disse à imprensa que está ajudando o governo do Distrito Federal a encontrar uma solução para as "complexas obras do teatro".

Fechado há quase cinco anos, o TNBCS padece, assim como os demais espaços culturais públicos do Distrito Federal, de política estruturante capaz de torná-los permanentemente em funcionamento.

Segundo nota distribuída pela oficial Agência Brasília, o edital de chamamento será publicado amanhã, sexta, no Diário Oficial.

Rollemberg reafirmou que quando assumiu o governo encontrou os espaços culturais fechados. “Estamos recuperando um a um, construindo novos e fortalecendo a cultura”, disse o governador, que mencionou o Centro de Dança do DF e o Complexo Cultural de Samambaia, ambos em fase de conclusão, além do Espaço Cultural 508 Sul, que deve ser entregue em 2018.

Essas obras estão em curso há mais de um ano e sempre há a expectativa de que fiquem prontos, mas até o momento nada garante que ficarão prontos algum dia. Não há data marcada. O Espaço Cultural 508 Sul tem pouco mais de 5% de obra concluída.

Ainda segundo o GDF, no caso do Teatro Nacional, as obras serão fatiadas. O processo iniciado hoje (19/10) é para a Sala Martins Pena, que demanda menor custo e menor tempo de trabalho dentro do projeto.

A opção jurídica que torna viável esse caminho é o Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil. Com base nele, o Estado pode procurar entidades especializadas em recuperação de patrimônio cultural e que possam captar recursos privados por meio da Lei Rouanet, sem impacto para os cofres públicos.

A reforma do Teatro Nacional, que está fechado desde 2013 por falta de segurança, é uma demanda antiga. No mesmo ano, o governo anterior contratou um projeto de restauração, entregue em 2014, último ano da gestão Agnelo Queiroz.

Rollemberg, alegando ter herdado um rombo bilionário nas contas públicas, mandou revisar o projeto. A alternativa encontrada, agora, foi dividir a obra, começando pela Sala Martins Pena.

O secretário de Cultura, Guilherme Reis, estima que a Sala Martins Penna esteja pronta em cerca de um ano, contado a partir da aprovação do projeto de captação pelo Ministério da Cultura e da captação de recursos pela entidade para a restauração. Não há prazo para que essa operação toda se conclua.

Participam da reelaboração do projeto de reforma a Secretaria de Gestão do Território e Habitação, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops) e a Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra).

Enquanto isso, o Museu de Arte de Brasília (MAB), também fechado há mais tempo ainda, continua em compasso de espera. De vez em quando algum governante lembra do MAB porque a comunidade cobra, mas depois o normal é o esquecimento. Guilherme Reis já anunciou a retomada da obra. Os artistas e a população esperam ansiosos.

Já o Museu Nacional da República está aberto, mas ainda não tem estrutura administrativa adequada. Aliás, essa estrutura nunca foi implantada desde que foi inaugurado.

HISTÓRIA - Um dos principais locais da cultura no DF, o TNCS foi projetado por Oscar Niemeyer na forma de uma pirâmide, sem ápice. O início das obras ocorreu em 1960, logo após a inauguração de Brasília, com interrupção seis meses depois, em 1961.

Em 1966, a construção do teatro foi reiniciada, e a Sala Martins Pena, inaugurada. Assim permaneceu por dez anos, quando foi fechada para o trabalho de conclusão do Teatro Nacional, reinaugurado, completo, em 1981.

O Teatro Nacional Cláudio Santoro conta com 3.608 vidros nas fachadas lestes e oeste, cubos brancos nas paredes norte e sul, assinados por Athos Bulcão — a maior obra de intervenção urbana do artista —, e jardins projetados por Burle Marx.

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